Preciso muito escrever, escrever sem pensar, exorcizar, mandar pra fora tudo com o que não quero mais me engasgar. Tudo que pode derreter, evaporar, que falta não me fará. Tudo o que for lixo, chorume, trauma, pesadelo, choro, dúvida, incerteza, insegurança, auto-sabotagem, síndrome do impostor, auto punição, ódio próprio, instinto suicida, pesos pesados, não quero mais, quero jogar no mar.
Hoje faz dois anos. Dois anos em que atirei pro alto um relacionamento de oito. Saí pro carnaval pra nunca mais voltar pro mesmo lugar.
Meu pai dedicou mais de trinta anos a uma teoria de que o universo tinha várias (mas não infinitas) dimensões paralelas, organizadas, como que em “gavetas”. Esta ordem garantia que vivêssemos apenas uma realidade, sempre coerente, do início ao fim. Caso houvesse um “rasgão”, uma ruptura nas linhas e barreiras do tempo/espaço, uma dimensão poderia interferir na outra e o caos seria imprevisível.
Em 16 de fevereiro de 2022, eu rompi a linha da organização, a barreira entre a coerência e o caos.
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