quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Olhar

Tanto tempo se passou, tanta coisa mudou, e este blog foi por mim abandonado...
Justamente isto, que foi criado, para ser uma espécie de diário, a começar na aventura de trocar de país. Como quem troca de roupa, troca de namorado, troca de penteado, eu decidi trocar de vida. Respirar novos ares, ouvir novos sotaques, me recuperar de achaques, interiorizar novas fases. Não fazia ideia de que moraria em Portugal, não fazia ideia de que aquele grande amor, escolhido para casar, escolhido para durar, iria me magoar tão profundamente, que quase me impediria de continuar, de acreditar. Pensei em voltar, quantas vezes me encontrei a chorar, a desabafar, a me segurar para não estrapolar. Quantas vezes, não consegui e explodi, implodi, fiz mal a mim mesma e a quem quer bem a mim. Milhares de vezes me desiludi, ao confundir sentimentos bons, com outros que não. Quantas vezes fui julgada, e tive que me impor (mas sem me impor em demasia, para não passar por arrogante importada), quantas vezes fui inferiorizada, de tal maneira, que fiquei impregnada e cheguei a me sentir realmente
inferior. Como um deja vu, o que me salvou, foi mais uma vez, a arte e o som. Tentei me adaptar, tentei me entregar (mas não muito, pois o medo aqui dentro, ainda há), tentei não sufocar. Tentei interiorizar de que não sou eu a inferior e muito menos eu a problemas no país causar. Inúmeras vezes vi minha aposta falhar. Não consegui levantar, muitas vezes. Mas sempre tive que fazê-lo, e não deixar o negativo ganhar. Quantas vezes quis insultar, depois de levar. E tive que penar para não amargurar. Tive que mergulhar em memórias, para a mim mesma buscar. Tive que escutar outras pessoas a me explicar quem sou eu, sobre não me auto-abandonar, não me auto-sabotar. Tive que filtrar, sentimentos meus, sentimentos alheios, sentimentos prestes a estourar. Tentar manter a esperança, aquele mesmo olhar, de quando eu cheguei, sem saber se iria voltar. E não voltei, e pior do que isto, fiquei sem dinheiro para sequer visitar. Mas tento não voltar no que já andei, no que já sofri, no que já aprendi, no que já amei. Não gosto de muita coisa por aqui, mas agora é o que há. Tentarei para as pessoas bonitas olhar e escutar. E em boas companhias andar. Renovar. Lutar. Um ano novo começar.

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