sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Cometa e coerência

Preciso muito escrever, escrever sem pensar, exorcizar, mandar pra fora tudo com o que não quero mais me engasgar. Tudo que pode derreter, evaporar, que falta não me fará. Tudo o que for lixo, chorume, trauma, pesadelo, choro, dúvida, incerteza, insegurança, auto-sabotagem, síndrome do impostor, auto punição, ódio próprio, instinto suicida, pesos pesados, não quero mais, quero jogar no mar.

Hoje faz dois anos. Dois anos em que atirei pro alto um relacionamento de oito. Saí pro carnaval pra nunca mais voltar pro mesmo lugar. 


Meu pai dedicou mais de trinta anos a uma teoria de que o universo tinha várias (mas não infinitas) dimensões paralelas, organizadas, como que em “gavetas”. Esta ordem garantia que vivêssemos apenas uma realidade, sempre coerente, do início ao fim. Caso houvesse um “rasgão”, uma ruptura nas linhas e barreiras do tempo/espaço, uma dimensão poderia interferir na outra e o caos seria imprevisível.


Em 16 de fevereiro de 2022, eu rompi a linha da organização, a barreira entre a coerência e o caos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Desabafo algures em 2016

Eu acho que somos mesmo todos sozinhos. Mesmo com o calor, de um grande amor, no final, somos sozinhos. Temos sonhos que não concretizamos e por isto, não sabemos o caminho. E não há quem nos leve, por que no final, ninguém sabe o caminho. E mesmo por isto, continuamos sozinhos.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Olhar

Tanto tempo se passou, tanta coisa mudou, e este blog foi por mim abandonado...
Justamente isto, que foi criado, para ser uma espécie de diário, a começar na aventura de trocar de país. Como quem troca de roupa, troca de namorado, troca de penteado, eu decidi trocar de vida. Respirar novos ares, ouvir novos sotaques, me recuperar de achaques, interiorizar novas fases. Não fazia ideia de que moraria em Portugal, não fazia ideia de que aquele grande amor, escolhido para casar, escolhido para durar, iria me magoar tão profundamente, que quase me impediria de continuar, de acreditar. Pensei em voltar, quantas vezes me encontrei a chorar, a desabafar, a me segurar para não estrapolar. Quantas vezes, não consegui e explodi, implodi, fiz mal a mim mesma e a quem quer bem a mim. Milhares de vezes me desiludi, ao confundir sentimentos bons, com outros que não. Quantas vezes fui julgada, e tive que me impor (mas sem me impor em demasia, para não passar por arrogante importada), quantas vezes fui inferiorizada, de tal maneira, que fiquei impregnada e cheguei a me sentir realmente
inferior. Como um deja vu, o que me salvou, foi mais uma vez, a arte e o som. Tentei me adaptar, tentei me entregar (mas não muito, pois o medo aqui dentro, ainda há), tentei não sufocar. Tentei interiorizar de que não sou eu a inferior e muito menos eu a problemas no país causar. Inúmeras vezes vi minha aposta falhar. Não consegui levantar, muitas vezes. Mas sempre tive que fazê-lo, e não deixar o negativo ganhar. Quantas vezes quis insultar, depois de levar. E tive que penar para não amargurar. Tive que mergulhar em memórias, para a mim mesma buscar. Tive que escutar outras pessoas a me explicar quem sou eu, sobre não me auto-abandonar, não me auto-sabotar. Tive que filtrar, sentimentos meus, sentimentos alheios, sentimentos prestes a estourar. Tentar manter a esperança, aquele mesmo olhar, de quando eu cheguei, sem saber se iria voltar. E não voltei, e pior do que isto, fiquei sem dinheiro para sequer visitar. Mas tento não voltar no que já andei, no que já sofri, no que já aprendi, no que já amei. Não gosto de muita coisa por aqui, mas agora é o que há. Tentarei para as pessoas bonitas olhar e escutar. E em boas companhias andar. Renovar. Lutar. Um ano novo começar.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Caixa Preta


Ainda não sei exatamente como explicar essa cruzada.
















Tempestade

O tempo parou. Em março de 2013. Parou, mas não olhou para trás. Pegou um impulso e deu o maior salto de todos. Que não teria volta, que não teria refúgio. Foi um salto de sobrevivência, um grito de independência, de quem já estava sufocada por demasiado tempo. "Um dia tudo fará sentido", era o que eu dizia a mim mesma. E apanhei um ou mais transportes, até a Inglaterra. Em busca de ar, de vida, amor, de mim mesma.
De volta a Portugal, meu mundo caiu, foi derrubado, quase morri do coração. Depressão.
Aos poucos, as vozes dos amigos eram mais e mais ouvidas. "Um dia tudo fará sentido", eu tentava me convencer, mas sem convicção.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sem título




Não tinha ideia do que escrever… Sentou na cadeira de madeira, olhou para o rio e pensou num lugar do passado, que fisicamente já não existe - de onde sobrou apenas um pedaço de memória empoeirado, nublado, e por vezes ensolarado. Pensou que já não é mais a mesma pessoa. Depois pensou que não pode mais perder aquela pessoa, que ficou lá atrás, porque ela veio junto, e dorme num cantinho, onde quer que esteja quentinho e seguro…

Evolution - Cat Power

terça-feira, 13 de março de 2012

Sonic



Sair da minha casa, andar três quadras, entrar num teatro barroco e descobrir que meu lugar ficava a um metro e meio do palco, já era surrealmente bom. Agora, quando entrou o Thurston Moore e começou a tocar uma música lindíssima… Batata: Ataque de asma (sabe-se que quem está assim não pode ter emoções fortes, mas vai explicar o que é Sonic Youth pro meu pulmão…). Não sei se foi a falta de ar, mas música após música, eu ficava cada vez mais na dúvida, se aquele momento era um sonho ou um delírio. Quando percebi que era realidade, me senti tranquila… Porque sabia que se morresse ali, morria feliz…
Foi quando, numa pausa, Moore, começou a contar umas histórias da sua adolescência e umas piadinhas, com um jeito de quem anda leve e feliz… Quando dei por mim, estava rindo um monte, e… respirando! Foi como se o próprio Thurston Moore tivesse me acalmado (ou o antibiótico tivesse tido efeito).
No som que veio a seguir, passou simultaneamente um filme da minha vida, na minha cabeça. Depois lembrei dos amigos que estão longe e deu saudade. E tudo isso fez desta uma noite inesquecível. Nada mal para um dia que começou no hospital. Vida-montanha russa.
E então saí do teatro e aconteceu por alguns segundos: Esqueci o caminho de casa. Achei que estava em São Paulo.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Diário de Bordo


Depois de três anos no purgatório da adaptação imigrística (à la Odorico Paraguaçu), eis que reencontro meu eixo. Havia me perdido de mim mesma, do meu país, do meu marido, dos meus amigos, da minha música. Parece que fui abduzida. Agora, depois de tudo, tudo, tudo, dar errado. Começo a evoluir para dar certo.
Parece que este é o ciclo, não é? Não fui a primeira, nem a última.
Quando cheguei em Portugal (sem ter ideia de que viria a morar aqui), não entendia muito bem, porque todos diziam que eu estava ainda "fresquinha" na terrinha. Agora eu percebo. Muito bem. Se eu soubesse exactamente como seria o caminho, certamente teria fugido. Mas não me contaram. E foi assim que aconteceu.





domingo, 17 de julho de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Do It

...Nunca parei para ouvir Lenine. Mas sempre gostei dessa letra. Por coincidência, tem o mesmo nome de uma letra que escrevi, para minha banda Las Dirces. O mood é o mesmo. Vai, minha filha.


Do It - Lenine

(Composição: Lenine/Ivan Santos)


Tá cansada, senta

Se acredita, tenta

Se tá frio, esquenta

Se tá fora, entra

Se pediu, agüenta

Se pediu, agüenta...

Se sujou, cai fora

Se dá pé, namora

Tá doendo, chora

Tá caindo, escora

Não tá bom, melhora

Não tá bom, melhora...

Se aperta, grite

Se tá chato, agite

Se não tem, credite

Se foi falta, apite

Se não é, imite...

Se é do mato, amanse

Trabalhou, descanse

Se tem festa, dance

Se tá longe, alcance

Use sua chance

Use sua chance...


Se tá puto, quebre

Ta feliz, requebre

Se venceu, celebre

Se tá velho, alquebre

Corra atrás da lebre

Corra atrás da lebre...

Se perdeu, procure

Se é seu, segure

Se tá mal, se cure

Se é verdade, jure

Quer saber, apure

Quer saber, apure...

Se sobrou, congele

Se não vai, cancele

Se é inocente, apele

Escravo, se rebele

Nunca se atropele...

Se escreveu, remeta

Engrossou, se meta

E quer dever, prometa

Prá moldar, derreta

Não se submeta

Não se submeta...


Direto de Portugal, a terra do "deixa de frescura". Acho que vim parar aqui pra aprender mesmo...

domingo, 19 de dezembro de 2010

Psicologia barata e súbita

- Todas as pessoas que foram de algum jeito rejeitadas pelos pais, sentem-se umas bestas (aberrações)?










sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Intense

Quem está longe, não pode compreender, no meio das minhas maluquices e relatos instáveis, a intensidade total de ser "imigrante"... e no meu caso, de ser imigrante PLUS ser casada e PLUS num país inusitado (leia-se, nunca fez parte dos meus planos morar em Portugal)

Cada decepção é amplificada umas mil vezes. Mas finalmente descobri que, cada conquista é amplificada umas mil e duzentas.

Sinto uma felicidade interior inexplicável. e conquistas maiores virão. Mas só direi quando se concretizarem de faCto (nesse ponto, ainda sou supersticiosa).

Boa noite.
:)


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Força

Por acaso eu não sabia, no início deste blog, que Portugal era tão sombrio.
E não tinha idéia do quão mais forte eu sairia daqui. Se eu sobreviver a isso, acho que lido bem com qualquer coisa. Acho.

tento agora reconsertar a vida. como uma faxina, colocar cada coisa em seu devido lugar.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Horóscopo do dia

Não sou de ler horóscopos (mesmo), mas o de hoje me diz assim:

"Música e cinema são meios únicos para traduzir seu sentimento do mundo."


terça-feira, 9 de novembro de 2010

eu tenho um demônio dentro de mim
às vezes, ele adormece e eu fico em paz
mas quando ele acorda com fome de confusão
tanto mal me faz
esse monstro se chama depressão
e eu não aguento mais

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Arte Curativo

Acho que sempre quis fazer cinema antes mesmo de saber disto. Uma das minhas primeiras memórias da infância, era desejando ter uma câmera embutida num olho.
Fazer histórias, seja do jeito que for, é pra mim, antes de qualquer coisa, brincar de deus, poder criar, remontar e editar a própria vida. E eu preciso disto pra sobreviver. já que a vida originalmente não foi lá muito generosa comigo. pela natureza, eu morreria sufocada. Pelo meu esforço, prefiro recriar a realidade. Pelo menos a que está ao meu alcance. E ao alcance de todos.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

...Pero perder la leveza, jamás!

Insegurança é: pensar antes de fazer, fazer o que se pensou, ter o melhor resultado dentro daquilo que se pensou e foi feito. E mesmo assim, se sentir culpada e achar que fez tudo errado.
Não quero mais ser assim. Quero ser livre e auto-confiante. E lembrar que errar é nor-mal.















l e v e

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Amanhã de manhã

... Depois de uma manhã caída,
uma tarde terrível e sete horas no hospital...
Volto para a nossa casinha,
onde tocava Joanna Newson.
Meu Guigui me esperava na sacada.
Ficamos ali abraçados, sem dizer nada.
Ouvindo o povo animado do Bairro Alto.
E vendo, de longe, a Yara conversar com o amigo novo,
na sua última noite em Lisboa,
desejei que a manhã seguinte nunca chegasse...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Brit Invasion


Passei meses e meses sem postar aqui, simplesmente porque havia me esquecido da senha!
Hoje alguma luz iluminou minha memória precária!

Um ano e três meses a morar em Lisboa. O que se passou?
Foi como largar o conforto do lar, pegar um avião e este cair... na ilha do Lost.
Me desculpem a comparação infame, mas depois de um ano, passei a ter pesadelos recorrentes com essa cena.
Por que?

Primeiro, o lugar é lindíssimo, o céu é sempre azul, não há trânsito, não há violência, não há poluição (fiquei curada da asma, assim que aterrisei! uma coisa meio John Locke) e ainda há o rio Tejo e depois o mar, ambos de fazer qualquer um suspirar e se sentir mais poético.
Junto com o meu marido, e às vezes até sozinha, conheci pessoas incríveis, de todo lugar do mundo.

Tudo lindo!

Mas... Por outro lado, minha parte profissional foi totalmente amaldiçoada. Fui explorada, enganada e até acusada e injustiçada, pra fechar com chave de ouro o ano de "trabalho", que mais parece ter sido trabalho de macumba.

Conclusão, aprendi que preciso ser muito mais forte. Ser fodona ainda não é o suficiente, principalmente quando se está em outro país. Aprendi a não falar demais, como sempre fiz.
Aprendi que um casamento só funciona se cada um estiver feliz consigo mesmo, pra depois, juntarem os trapinhos da felicidade.

A coragem veio súbita e um ombro mais do que amigo irá me receber em Londres.
Tudo de novo? Talvez, mas agora, com mais força, mais esperança e mais vida real.

E o que importa sempre, é a tal da auto-estima, o amor e a amizade. E às vezes, o vinho.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Imigrar não é fácil. Saudade de todo mundo, desapego forçado (da carreira, da vida social antiga, das bandas, dos lugares, etc). Choque cultural, aprender o que dizer e o que não dizer (ou fazer), em quem confiar e em quem não (essa parte é bem difícil). E saber ter um cantinho acolhedor móvel, que vá com vc pra onde for.
Imigrar em casal também não é fácil (quem ficou no país acha que foi o final feliz da novela, e nem sabem de nada). Não vale a pena expor os detalhes. Mas o duro é cada um, no meio de taaaantas descobertas, não se perder do outro.

Mas há surpresas de todo tipo. Tirando as ruins, as que são boas, são muito especiais.
Uma tarde ensolarada, em Lisboa com a calma que só ela tem. Uma noite de poesias e vinho (s) na casa de amigos ótimos. Ir parar sem querer num show de bandas inglesas de garage num cabaret com jagameister de graça (oh!). No dia-a-dia, ter que se virar, e na marra, virar uma pessoa (muito) mais forte.

E o melhor é se apaixonar mais ainda pela pessoa que foi com você desde o começo...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Acordei com uma saudade louca de São Paulo. Saudade dos meus pais, da minha casa pequena com o piano ao Sol, saudade das minhas bandas, dos meus amigos, de viajar pra tocar, das estradas de lá, até do trânsito me deu saudade.

domingo, 13 de setembro de 2009

Hein?

Eu sou daquelas que tem a memória fraca.
Eu sou daquelas que tem sempre que fazer um diariozinho e revisitá-lo de vez em quando pra recapitular a vida.

Por isso precisei recorrer ao velho diário, hoje espalhado entre esse blog, um caderno tosquíssimo com desenhos idem, fotos e vídeos, pra lembrar porque raios eu estou em Portugal.

Às vezes, trabalhando como atendente de mesa, eu me pergunto isso.
Então, quando o movimento diminui por alguns minutos, eu olho pro rio Tejo à noite e suspiro. Toda noite. Assim como a senhorinha do Chiado que conversa com o Fernando Pessoa (em estátua), toda noite.

Então eu precisei montar na minha cabeça o mapa desses 11 meses em Lisboa, junto com o meu marido Guigui.

E me lembrei porque eu suspiro. Não é só pela beleza do Tejo, mas é pela chance de uma vida nova (e porque sou apaixonada).

Vídeozinho "retrospectando"...
(a música é do El Año del Elefante, "Lisboa Viva")

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

email pra amiga dirce em londres

nossa, amiga, momento desabafo de quem chegou do trampo às 3h30. trabalhar sob pressão é uma merda, não é? passo o dia a ouvir berros por todo lado, tá foda. o bar com a vista mais linda de lisboa eh disputado a tapa (às vezes literalmente) e dá margem à mil confusões. talvez amanhã eu perca o emprego, talvez bata em alguém.
espero durar um mês pra poder juntar dinheiro (hoje fez uma semana e já tô podre, e fiz mil cagadas)

rapadura eh doce, mas num eh mole não.

te amo, vinhão!

força nas nossas perucas!

:*******

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Feliz mês novo!

Com banda nova, amigos novos e um trabalho novo, num lugar não tão novo (um bar lindíssimo, feito num casarão dos anos 30), com essa vista:














Lisboa no verão é foda, muito difícil manter algum mau humor por muito tempo...
Faço minhas as palavras de um amigo espanhol: "Lisboa por siempre no meu coração".

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Tempo e Espaço

... Eu e essa mania adolescente de associar letras de música com o que eu estou sentindo no momento. Isso não vai passar nunca.













The Accidental (banda que eu virei fã) - Time and Space

Time and space stretch out before you
And the universe implores you
To take your place
Amongst all things
And to see what the morning brings
To your own self be true
There's nothing more to do

You are young and the world is open
So many words you've never spoken
Don't be afraid to stand your ground
When your time it comes around
To your own self be true
There's nothing more to do

You are part of everything
Find your voice and start to sing

Time and space stretch out before you
And the universe implores you
To take your place
Amongst all things
And to see what the morning brings
You are part of everything
You are part of everything

domingo, 5 de julho de 2009

Pela Longa Estrada da Vida

Sobre começar, terminar, começar, dar tudo errado, recomeçar, nem terminar e começar de novo. Sempre de cabeça erguida e com estilo.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

finalmente, boa música, cool personas, buenas ondas. estoy muy contenta!










... e o show absurdamente lindo do cocorosie

quarta-feira, 17 de junho de 2009

On the road

Sobre o amor, a calma, a estrada e o bigode...


Música - Ex Naive - "Calma"

pânico e coragem

é muito difícil não ter medo de si mesmo
quando o passado é um poço abandonado
que quando se espia, cai lá dentro
sem ter onde se agarrar
há que se respirar fundo
não temer a queda
e olhar pra cima
queria poder dar as mãos à eu de antigamente
mas às vezes ela é muito pesada
e acaba me escapando
ficando outra vez ali esquecida
...

lendo: coisas que eu escrevi em 2002 e 2003 (http://noisesp.tripod.com/colunas_menu.htm)
ouvindo: cat power
vi anteontem: the devil and daniel johnston (e ainda não me recuperei)
com saudade: das amigas, amigos, família, do piano (e de ter gatos)










no geral: feliz. e amando mais ainda.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Little Catarina

Querido blog, hoje ganhei uma sobrinha! É a Catarina, essa lindinha na trouxinha...

Não deu tempo chegar na maternidade (!!!) Se nascesse no ônibus de Madrid e se chamasse Victor, seria o "Carne Trêmula" do Almodóvar!

email do meu pai:

"Alô, Pessoal,

Nasceu hoje de manhã Catarina, filha de Heitor e Nirvana. Parto normal, em casa, não deu tempo irem para a Maternidade.
Heitor informa que ela e a Mamãe estão bem.

Abraços,
Helio

P. S. Rogério, por favor, avise Kira."

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Chicletes no asfalto português

Uma homenagem à Jujú C4
(http://chicletsnoasfalto.blogspot.com)

A primeira vez que vi esse adesivo numa rua de Lisboa, no meio da tarde de domingo, tive um rápido pensamento romântico, e pensei em arrancá-lo e dar para o meu "bombonzinho". Mas achei melhor não, pois estava tão bem colado num muro, que não ia sair fácil, e como estava numa rua muito movimentada, podia virar uma cena ridícula, quis ser discreta.

Continuei caminhando e notei que havia esse adesivo por todo lado! E consegui, finalmente arrancar um "com dignidade", que saiu inteirinho, e levei para casa.

Chegando em casa, o Gui me disse que havia passado a tarde tentando roubar um desses pra mim e não conseguiu. Colamos o adesivo singelo no nosso case de vinis.

Agora, a pergunta é: Quem fez esse adesivo e colou por toda a cidade? Pensei, será que é uma ação publicitária (aí ia perder toda a graça)? Ou algum apaixonado bancou uma tiragem e correu o risco de colar nas ruas, só pra chamar a atenção do seu bombom (aí ia ter toda a graça)? Não sabemos, ninguém sabe. Mas taí a foto.













... E o que aquele senhor estava fazendo parado ali no fundo? Será que foi ele?

terça-feira, 14 de abril de 2009

Estou tentando ter pensamentos bons. Ultimamente minha alma tem sido malhada nesse lugar, e eu tenho tido pensamentos péssimos. Me sinto uma má pessoa, mesmo sem dizer ou fazer nada.E aí me sinto bunda mole. E também não tenho certeza se minha alma foi realmente malhada ou se eu sou fatalista e me faço de vítima. Espero que não, porque odeio gente assim.

Sinto falta dos melhores amigos do Brasil, para me dizerem o que fariam.

Tenho calma quando meu namorido me abraça e diz que vai ficar tudo bem.
Mas ele me solta e me pego sozinha sendo besta de novo.

Talvez um desabafo, uma música, um diário, um desenho me ajudem.
Perdi um pouco o fio da meada, dentro de mim mesma. E preciso achar urgente.


segunda-feira, 30 de março de 2009

Amor Cigano

Amanhã vamos mudar de casa! Estou tão cansada que não consigo escrever. E tão animada que não consegui dormir.

Tecnicamente, vai ser a minha oitava mudança. Mas é sempre como se fosse a primeira (isso ficou brega, credo).

ass.:
Esperanza.

Humor: Bem feliz.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Os portugueses adoram as brasileiras!

Principalmente se você for a Gisele Bündchen, um par de Hawaianas ou uma goiaba!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Patchwork

Março, Sexta-feira 13.

Sem querer ser gótica, mas já sendo um pouquinho...

Foi a primeira vez em que me vi literalmente por dentro.

Trabalhando no bar, derrubei um liquidificador de vidro que abriu um buraco na minha mão esquerda. Como corte com vidro não se sente na hora (ainda mais depois de umas doses de vinho do porto), fiquei curiosa por alguns segundos (acho que uns três, mas foram marcantes) olhando o meu tendão, músculos, etc... (é, o buraco foi meio grande).

Tá, hospital. Costuraram minha mão e me senti uma boneca de pano sendo remendada (sou fã do Tim Burton com tendências góticas, já disse), engraçado. Engraçado também o que se sucedeu, foi um alerta, pra eu pensar no que importa, de novo (sem papo de destino esotérico) e ver as pessoas queridas que já são minhas amigas aqui. A famosa minoria de pessoas incríveis que existe em todo lugar.

Agora, não vejo a hora de me recuperar (e parar de sentir dor, que agora tá foda) e voltar a ensaiar o meu pocket show de horror (é o meu Ex Naive, mas só pra ficar temático), com nossa guitarra preta bem linda. O show vai ser no fim de abril, na exposição dos funcionários do bar onde eu trabalho, que tem o slogan que eu fiz: "a equipe mostrada de dentro pra fora".

quinta-feira, 5 de março de 2009

Unidos do Caralho a Quatro

Eita povo que briga. Pelos seus direitos (isso é bom), esquerdos e uns com os outros. É discussão e gritaria por todo lado. Sempre achei que isso fosse mais uma coisa latina.

Cansei de berros, stress e tensão. Nem sei mais avaliar por que isso acontece tanto nessa cidade (no país? na "Europinteira"?).

Esquece. Preciso me lembrar todo dia o que é que a gente tá fazendo nesse lugar e fazer de tudo pra sairmos daqui!

Mas peraí, será que o mundo inteiro tá louco? Será que sou eu?

Tenho muito o que aprender...

Humor: Cansada e tentando manter a esperança.
Frase da vida: Nóis Capota, mais num breca. Nunca.
Ouvindo: "Carousels" - Beirut.

Coisas de que eu gosto em Portugal: Pastéis de Belém e... ginja, acho.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Feliz vida nova

"Adeus ano novo, feliz ano velho, que tudo se realize, no ano que vai nascer. Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender..." - Essa musiquinha de fim de ano sempre me deprimia, e não sabia por que. Assim como em aniversário ou casamento, sei lá. Todo mundo deposita todas as fichas de esperança, achando que um cometa vai ver e jogar tudo de presente ao felizardo.

O mais difícil é colocar em prática o que todo mundo, no fundo, já sabe: Que nada vai mesmo se realizar, se você não se mexer. Seu casamento não vai ser incrível só porque você pediu isso no dia da festa, e o ano novo não vai ser realmente foda, só porque você pediu na hora do brinde. Todo dia é hora de ter coragem, senso crítico e pensar de novo sobre o que se quer da vida. Senão, nos esquecemos, e o casamento vira rotina, e o ano novo, que era tão esperado, também.

Feliz ano novo, mas de verdade.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Nada, nada

Ando meio bipolar. Num dia, (muito) "optimista" e no outro, (muito) pessimista.

Se não soasse tão hippie-trindade, diria que quero um colírio mental.

Alguém me avisa, por favor?

Amanhã estarei "óptima", ponto.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Reggae

Sempre chega uma hora em que as coisas começam a se encaixar, é óbvio. Mas no começo não parecia tão óbvio assim.

Agora, depois de um mês, começo a sentir a calma desse lugar. Casa aconchegante com gente idem, que ouve reggae e é muito especial.

Ainda desacelerando do ritmo de São Paulo, podemos (ainda) acordar tarde, fazer um desenho, uma colagem, uma música, um brigadeiro (o meu foi elogiadíssimo nas Europa) ou dar uma volta qualquer.

Já aprendi a tocar o "fodáss" ("foda-se", com o sotaque daqui) a quem me fizer cara feia no meio da rua. Sou brasileira mesma, não gostou? Não ligo mesmo.

Tem muita gente legal sim, e agora me sinto mais acolhida. Falta arrumar um trampo, uma banda, mas cada coisa de uma vez. O natal já não me assusta mais (sempre tive trauma dessa época do ano) e o seu medo não mora mais aqui.

Tô começando a sentir aquela liberdade que eu tanto procurava, e lembrar porque eu larguei o quase certo pelo quase duvidoso.

sábado, 29 de novembro de 2008

Brazucas

Lisboa, Portugal.

Estou me acostumando com o preconceito. Não há uma lei em que deve-se respeitar os imigrantes, então o preconceito é declarado e rido na sua cara, mesmo. E com Angolano, por exemplo, é pior.

Dá para entender o fundo social - um país que sempre foi pacato e familiar, se sentiu "invadido" por gente de fora. Mas essa é uma questão complexa que tem lados bons e ruins, etc. Ou seja, preconceito não dá pra engolir.

"Brazileiros, fora daqui!" - essa foi a singela frase delicadamente pichada no muro que me fez ficar triste pra caralho.

Então eu lembrei da Cris, que mora nos EUA, e me lembrou que sempre, em qualquer lugar, existe preconceito, e existe também aquelas pessoas legais, que não têm nenhum deles. Ainda bem que algumas pessoas aqui são assim, senão ia embora agora mesmo.

Humor: Fazendo das tripas coração.
Horóscopo: Errada ou não, a escolha já foi feita, se vira.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Som

Escuto PJ Harvey e tenho uma vontade urgente de tocar e cantar.

Quando souber da minha morada (endereço), é isso o que eu vou fazer. É isso o que eu quero fazer. Sempre.

Humor: Esperançosa e ansiosa
Horóscopo: Siga seus sonhos

terça-feira, 18 de novembro de 2008

E o que seriam das estátuas sem as pombas?


Fim de outubro. Chegada na Europa. Lisboa, pra ser "exacta".

Choque. Foi isso o que eu senti primeiro.
Nunca tinha ido tão longe de casa. E o futuro incerto é o mais difícil.

Pude notar algumas diferenças no povo. Mais direto, mais rude, mais honesto e de saco cheio de imigrantes.

A cidade é histórica e moderna ao mesmo tempo. Num dia, vamos a um castelo do século XIV, no outro, a um show do Afrika Bambaataa de graça, num cassino!

Bar de 1800, que vende licor de ginja. Depois, bairro alto (que parece a Lapa do Rio), com uma balada mais animada que a outra. Bar de metal com uma hostess de 90 anos e boate gay fervendo.

E no meio da praça histórica, uma pista de skate verde fluorescente. É assim, acho que tudo se equilibra. O dia com a noite. Os velhos com a bebedeira e os jovens com a bebedeira também.

domingo, 12 de outubro de 2008

Feng Shui no ouvido e na língua

Antes de imigrar, o seu cotidiano fica assim:

Cena 1: No trabalho; Um torce a favor e te abraça forte, enquanto outro se retorce de inveja (por que?) e não olha mais na sua cara. Outro vem e fala que é loucura, e que lá fora tá tudo uma merda. Mais um fala que já foi, e que você tem que fazer tudo como ele fez. Um mais legal tenta descolar um trampo pra você, porque tem uns contatos (a chance de rolar é pequena, mas o que vale é aquecer a esperança).

Cena 2: No salão de beleza; Você não quer falar, mas sei lá por que raios, acaba contando pra alguém. Uma te abraça forte enquanto a outra fica com inveja, e ao mesmo tempo, outra fala que tá uma merda, que é melhor não.

Cena 3: No almoço de família; Idem.

Cena 4: Na balada; Idem.

Cena 5: No brechó ou em qualquer lugar que se puxe um assunto (e independe do grau de amizade, que pode até ser inexistente); Idem.

E sua vida vira isso! É uma loucura.

Por isso é muito importante a audição seletiva. E o diálogo seletivo, o que é mais importante. Aliás, amizade seletiva também.

Tá aí, acho que isso é uma lição de vida.




sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Começando

Esse blog irá demarcar uma nova etapa da minha vida.

Estou de mala e cuia prontas pra desbravar alguns lugares novos (ou semi-novos, hehe).

Quero mantê-lo sempre atualizado, contando coisas que pensei, vi ou imaginei.

Vou tentar.

1, 2, 3 e já.

;*